domingo, 10 de abril de 2011

Vergílio Ferreira

"Estou a pensar que nós é que temos culpa de tudo o que está a acontecer. Mas não por passividade, pusilanimidade, ignorância ou cobardia. É um brutal cansaço. Um cansaço residual que nos paraliza os músculos. «O último fôlego que nos sobra é para respirar.» Trinta anos de benefícios da dúvida gorados, burlados e escarnecidos tornaram-nos vegetais. Parabéns, políticos! Nenhum escritor tem essa capacidade."
R. Ferro

....

A propósito do nosso cansaço, um pequeno texto do Eça que talvez mostre ser tudo uma fatalidade histórica. (..) Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos carácteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão.(....).Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar num pais católico e que pela sua decadência progressiva pode ser riscado do mapa- citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como na Grécia (....). Temos o Sr. Lisboa baritono, eo Sr. Vidal lírico.( Farpas de Dezembro de 1871).

O ultimo fõlego para respirar que ainda nos sobra. espero que não se perca com algum imposto estraordinário sobre o fôlego porque, em tal caso, vamos ver muitos a cair para o lado. - D.G.R


‎"Porque o que mais custa a suportar não é a derrota ou o triunfo, mas o tédio, o fastio, o cansaço, o desencorajamento. Vencer ou ser vencido não é um limite. O limite é estar farto." - Vergílio Ferreira

Sem comentários:

Enviar um comentário